segunda-feira, 23 de novembro 2020
Equipe do Dourados E.C no antigo campo do Velosão. Foto: Arquivo pessoal /Minelli

Especial: “Véio Minelli”, uma história que é a história de muitos

Dourados, 1979. O vermelho da terra batida forjada ao sol escaldante de um Mato-Grosso (que recentemente ganhara o “Sul” no fim do nome), era a distração certa para muitos transeuntes que passavam vendo à alegria estampada em rostos de muitas “crianças” em intensa disputa, chutando uma bola de “capotão”, quase vermelha quanto a terra, no então campo de futebol do “Velosão”, nome em alusão a escola Reis Veloso, que “ficava” ao lado.

No camando de tantas almas inocentes  defendendo as cores do “Dourados Esporte Clube” um senhor franzino, cabelos brancos que o envelhecia mesmo estando ainda na casa dos “30” e poucos anos. Seu nome, Olivio Brufato, paulista de Mirandópolis, mas “mato-grossense(do sul)” de coração, já que chegara ao estado em 1945 com apenas 2 anos de vida. Por ser sãopaulino, e adimirador do técnico Rubens Minilli (que foi tricampeão brasileiro consecutivo como treinador de futebol, 1975/76 com o Internacional, e 77 com o São Paulo), ganhou o apelido de mestre Minille, ou o “véio Minelli’, como era mais conhecido.

Durante duas décadas “Minelli”, sempre com sua bicicleta “Monark”, esteve envolvido com futebol de base. No início, em 1974, juntamente com Anselmo, outro ícone do futebol douradense, estiveram à frente do Dragão F.C, respeitada equipe amadora da época. A parceria com Anselmo foi desfeita, e no dia 27 de setembo de 1979, era então criado o Dourados Esporte Clube, que teve suas atividades até o início dos anos 90.

Nomes importantes do futebol douradense passaram pelo Dourados E.C, e foi ali, com o “Véio Minelli”, que muitos começaram uma trajetória de muitas conquistas, seja no futebol ou em suas vidas particulares, pois não era apenas futebol, era socialização, era aprendizado. Apesar do pouco estudo, e de uma vida voltada a serviços “pesados”, Minelli sempre passou para seus jogadores que a maior vitória era em saber competir, vitória e derrota são partes da mesma essência, e uma não vive sem a outra.

Edilson (Despachante Mato Grosso), Tosinho, Andresão, Wilsinho(goleiro), Maurinho, Pipoca, Julinho, Josimar Crespan(Cinquentinha), Tato, Doriva, Cascureba, Jorginho, Romerito, Ademir Magrão, e tantos outros, começaram ali, no Dourados E.C, e levam, com certeza, para o resto de suas vidas, as melhores lembranças de uma época que não volta mais, romântica, simples, como o campo de terra vermelha e batida do “Velosão”.

Dourados, dias atuais….

A uma semana atrás fui convidado por Edilson Araújo para fazermos uma matéria especial sobre essa tão importante personagem do futebol douradense. De pronto aceitei, e de imediato me vi com 10 anos, no ano de 1986, e convidados pelos amigos Julinho, Pipoca, Ademir e Klever Negão, para ir treinar no Dourados E.C. Goleiro que era, fiz um teste com a permissão de “Véio Minelli”, e depois de um empate no tempo normal, acabei pegando um pênalti, o que me credenciou a ficar na equipe…….

Quando chegamos na casa onde hoje reside “Minelli”, atualmente com 74 anos, eu, Edilson e Salim Raidan, encontramos um senhor em uma cadeira de rodas, os vários anos de serviço pesado estão agora cobrando o peso de tanto esforço, e uma doênça que atinge os nervos o força a ficar naquela cadeira. Porém se a força física não é mais a mesma, a lucidez e o conhecido mal humor, estão ainda perfeitos, assim como sua paixão por futebol e viola caipira.

Nossa visita pareceu alegrar um pouco a sua vida, hoje um tanto enfadonha. Transparecendo alegria, “Minelli” nos surpreendeu com as tantas lembranças de nomes e rostos de mininos que hoje estão já na casa dos 40 anos, lembrando inclusive datas e até mesmo placares de jogos.

Fizemos uma foto oficial de nosso (re)encontro, mas certamente a lembraça deste dia será eternizada em nossas mentes, e o sentimento de estar devolvendo um “pouquinho” de toda aquela dedicação, nos deixou mais aliviados e com o sentimento de dever cumprido àquele senhor, que muitas vezes tirava dinheiro do bolso para comprar “chuteiras” a seus atletas. Que seja eterno o mestre Minelli douradense…..

Por Cleber Soares

Salim Raidan (de pé), Edilson Araujo e Minelli. Foto: Cleber Soares/Dourados Esportivo

Fotos: Cleber Soares/Dourados Esportivo

 

 

 

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