Bem cedo descobri que tinha um problema cardíaco e que não poderia ter uma vida de atleta profissional em qualquer tipo de esporte que exigisse esforço físico constante e treinamentos específicos. Esta descoberta veio quando eu participava ainda adolescente de uma das etapas do Pentatlo que a Coca Cola patrocinava em todo o Brasil e que tinha eliminatória em várias cidades brasileiras e os atletas iam conquistando etapas até a fase final que seria disputada em Brasília.

Em uma dessas etapas senti um desconforto e fui diagnosticado com uma anomalia cardíaca que depois me levou a uma cirurgia de peito aberto para a troca da válvula coronária que estava com problema. Mas descoberto ainda na adolescência nunca me prejudicou em realizar minhas atividades físicas. Corria, jogava futebol e handebol que era o esporte que eu mais me identificava e adoro até hoje.

Já como jornalista esportivo, me formei em educação física e com a passagem pela faculdade tive a oportunidade de conhecer como funciona o corpo humano, quais seus limites, como se preparar para atingir estes limites e os problemas causados em não estar preparado para buscar estes limites que são impostos ao corpo do atleta ou do ser humano, sem uma preparação adequada.

Na academia aprendi que é preciso ter um acompanhamento médico quando se quer praticar qualquer atividade física por mais moderada que ela seja. E já tinha experiência própria da necessidade e da importância de um acompanhamento médico especializado na prática desportiva.

Como jornalista esportivo tive o desprazer de ver pessoalmente um jovem atleta morrer em um estádio de futebol durante um treinamento sem que nada pudesse ser feito por todos aqueles que estavam na hora do fato e temos muitos casos pelo mundo afora de mortes súbitas nos mais variados esportes.

Mas ultimamente tenho tomado conhecimentos de muitos casos de pessoas e atletas amadores e profissionais que apresentam problemas médicos mesmo depois de estarem “acostumados” com as competições que disputam e com o ritmo e a rotina de treinamento a que são submetidos. Vejo pessoas cometendo loucura em submetendo o corpo ao limite. O resultado disso lesões cada vez mais frequentes e com mais gravidade.

Uma vez o ex-atleta português Luiz Horta me disse que uma das partes mais importantes do treinamento era o descanso e a cada dia me convenço mais que o lusitano que conheci em uma das edições da São Silvestre estava certo.

Este mês dois jogadores profissionais de futebol tiveram problemas. Um teve que encerar a carreira no Atlético Mineiro e o jogador Biro-Biro do Botafogo do Rio de Janeiro teve uma parada cardíaca durante um treinamento esta semana e provavelmente também tenha que parar por aqui.

Mas vamos aqui para nosso “mundinho” de competições de esportes amadores. Uma pessoa bem próxima a mim vende saúde, treina muito bem e treina muito, se prepara para competições, inclusive com a alimentação e a hidratação e de repente descobriu em um exame periódico que tem pressão alta e agora faz uso de medicamento para controlar o problema, mesmo com a condição física invejável que possui.

Esta semana dois amigos praticantes de atletismo passaram por enormes sustos quando precisaram ajuda de médica depois de não se sentirem muito bem após o esforço físico que eles estavam acostumados e já fazia parte da rotina dos treinos.

Um deles inclusive foi diagnosticado com uma patologia grave e provavelmente precise passar por exames mais específicos ainda do que aqueles que ele já realizou. O outro parece que foi apenas a soma dos treinos diários com os problemas do dia-a-dia.

Mas ambos os casos servem de exemplo e alerta porque há muitas pessoas “pegando pesado” em academias, em campos de futebol, nas quadras e principalmente nas pistas, ruas, avenidas, estradas e rodovias por aí.

Existem vários fatores que precisam ser levados em consideração na pratica esportiva e a condição de saúde é a principal delas. Esta condição de saúde, no meu ponto de vista, está ligada a um fator do qual não podemos fugir: a idade. Não se pode exigir do corpo hoje o mesmo desempenho de ontem ou de alguns anos atrás.
Por isso é muito importante a busca de ajuda do profissional de saúde. Check Ups e exames periódicos não necessários regulamente ainda mais para quem a idade já começa a cobrar o preço dos dias vividos, dos quilômetros percorridos e dos obstáculos vencidos.

Sem saber você pode estar com algum problema de saúde e com sua vida em risco e por isso é bom fazer um acompanhamento médico para que o seu prazer em praticar seu esporte preferido não se transforme em pesadelo antes da linha de chegada ou do gol que decide uma partida.

Antonio Coca é Professor de Educação Física, jornalista e cronista esportivo. Foto: Reprodução/Facebook